A Prefeitura de Indaiatuba lança mais uma novidade no sistema feudal de Indaiatuba: o vale-pelego. Servidores da Secretaria da Educação que não aderiram à greve receberam por horas-extras (com adicional de 50%) que não trabalharam. Esse pagamento tem como objetivo convencer os servidores que, em uma possível mobilização da categoria no futuro, devem ficar trabalhando. Ato que pode ser entendido com uma verdadeira proposta de suborno.

Nada contra os servidores receberem por hora extra, desde que essas sejam trabalhadas e dentro da lei. Existem casos em que monitoras de creche que trabalham 40 horas semanais, ou seja, nos turnos da manhã e tarde, receberam além do salário normal, mais 20 horas-extras. Como é possível isso se a creche não funciona à noite?!

O Rei sempre deu como desculpa a falta de previsão no orçamento para não dar aumento aos servidores durante a greve. Vivia falando que não tinha dinheiro. Engraçado, né!? Mas para pagar ‘hora-extra’, para quem não trabalha, dá. Uma tremenda sacanagem.

Espero que os servidores que receberam horas extras sem trabalhar reclamem e não fiquem com o dinheiro recebido indevidamente. Caso contrário, provarão para os colegas grevistas que são totalmente desprovidos de espírito coletivo.

Pior imagem fica perante à população. Receber um cala-boca desses e aceitar não é diferente do servidor que recebe propina, na verdade demonstra que políticos corruptos como Arruda e Maluf nada mais são que o reflexo de boa parte da sociedade. Sem contar que o Ministério Público e o TCE (Tribunal de Contas do Estado) muito provavelmente entrarão na jogada e, dependendo do resultado, esses servidores poderão responder a processos administrativos disciplinares. Quanto ao Rei, espero que seja mais um processo para sua Ficha Suja.

Obs.: Não adianta o Professor de Deus, Odair Gonçalves de Oliveira, falar que as secretarias têm liberdade na gerência das pastas. Quem nomeou a secretária da Educação, Rita de Cássia Trasferetti, foi o Rei, portanto, ele é c0-responsável por qualquer atitude que essa possa cometer.

Equação da greve: Prefeito não sabe que a conta vai ficar cara...

Nos últimos dias, a Prefeitura distribuiu um comunicado à população (veja aqui), no qual tenta convencer a mesma de que a greve não é o que é?! Diz mais uma série de bobagens e, por isso, rebateremos uma a uma:

Em respeito à população indaiatubana queremos agradecer a paciência e compreensão dos senhores pais, mães e enfermos frente às dificuldades geradas em algumas das nossas unidades pelo movimento de paralisação, pois como todos sabem, é eminentemente político de pessoas que têm pretensões a concorrer a cargos eletivos e uma mostra da total falta de compromisso pelos cargos públicos que ocupam na Administração Municipal.

Se a Prefeitura tivesse o devido respeito à população negociaria com os servidores, mas o Rei prefere falar que nada existe, não senta para conversar e não oferece nada. Quando fala do cunho político do movimento e seus integrantes, o Rei parece esquecer que ele também é político. Esquece que qualquer cidadão, dentro de certos parâmetros, pode concorrer às eleições. E quem deve decidir se as pessoas merecem ou não os cargos eletivos é a população.

Ao contrário do que dizem, apenas 6% dos funcionários estão paralisados.

O próprio Rei declarou em entrevista à CBN que a greve atingia 12%. No mesmo dia, Odair Gonçalves falou em 3%. Os números da Prefeitura flutuam muito. Outra questão: os principais setores paralisados são: Saúde, Guarda Municipal e Educação. O impacto da paralisação desses setores é imenso.

Toda classe médica voltou ao trabalho.

Não sei se foram todos os médicos, mesmo assim, o trabalho deles depende de outros funcionários.

A Prefeitura convocou mais de 100 aprovados do concurso para suprir as necessidades da Educação (escolas e creches).

Convocou mais de 100, ok, mas quantos atenderão o chamado por causa dos baixos salários e desprezo por parte do Rei? E o que o Rei fará com os funcionários sobrando, uma vez que os empregos dos servidores em greve estão garantidos? O Prefeito não precisa aprovar uma lei para criar mais cargos?

O Sindicato recusou por duas vezes acordo proposto pela Prefeitura. Não cumprindo o que assinou na frente da Procuradora Regional do Trabalho.

Mentira pura. A Prefeitura fez duas propostas ridículas. A Prefeitura recusou por duas vezes acordo proposto pelo Sindicato. Agora essa ladainha de acordo com a procuradora é piada, pois a mesma, confirmou que não houve acordo. No website da Procuradoria Regional do Trabalho existe, inclusive, uma notícia sobre o assunto, e em nenhum momento a matéria confirma o acordo (http://www.prt15.mpt.gov.br/site/noticias.php?mat_id=9947). Segundo o vereador Linho:  “a procuradora demonstrou sinais de irritação com a posição do secretário [Núncio Lobo Costa] que dizia não ter autonomia para negociarEla então perguntou o que ele foi fazer naquela reunião e o Núncio respondeu que foi em respeito à Procuradoria … A procuradora disse, então, que se ele fosse respeitoso, mandaria alguém com autonomia e propostas para a reunião.” Preciso falar alguma coisa, depois dessa comida de toco ?!

O primeiro termo assinado na Procuradoria com a volta ao trabalho não foi cumprido.

Reinoquice pura. Não houve acordo. O Rei não entende que um acordo, para existir, tem que ter a concordância de duas partes? Ele acha que estamos no regime feudal ou que está lidando com os seus servos!

No segundo termo foi assinado o retorno ao trabalho no dia 07/06, com o compromisso de negociações de eventual reposição e pagamento dos dias parados: também não foi cumprido.

Reposição do que, cara pálida?! Já foi descontado, o servidor não é obrigado a repor. Também não houve acordo, o Núncio só levou na cabeça e ainda por cima ficou meia hora no celular falando com o Rei para não resolver nada.

Agora mudaram a reivindicação: querem um adiantamento do reajuste referente à reestruturação de cargos e salários.

Não mudaram nada, querem aumento. Fizeram uma proposta, que aliás, deveria vir da Prefeitura.

O Sindicato solicitou abono das faltas dos dias parados somente para parte da diretoria e não para os demais funcionários.

Legal, se isso aconteceu, e o que eu acho muito difícil, a diretoria, ainda sim, precisa da concordância de todos os grevistas. Acho que a diretoria não é tão burra quanto o nosso Executivo.

O plano de cargos e salários garantirá um dos melhores salários da região.

Meio vago e OFDS só acredita vendo…

Exames laboratoriais serão regularizados esta semana.

A população espera que seja verdade.

Pergunta-se: quem vai pagar os dias parados dos servidores? O Sindicato? A Prefeitura sempre divulgou que os dias parados iriam ser descontados. Não mentimos. QUEM ESTÁ MENTINDO PRA QUEM??????

Não vai ser o sindicato, mas garanto a quem esta decisão caberá: à Justiça. Sem falar que os grevistas já sabiam que, mesmo não podendo, o Rei iria agir dessa forma. A resposta para pergunta: Reinóquio & CIA.

Como você, leitor, pode apreciar (ou não), a carta é ridícula. Não quero crer que esta seja mais uma obra supervisionada pelo secretário Odair ‘O Prof. de Deus’ Gonçalves de Oliveira. Porque se for, acho que ele acreditou demais no STF, e como o diploma de jornalista não é mais necessário, ele tratou de rasgar o dele. Ao invés dos ensinamentos da cátedra, deve seguir a cartilha da Gestapo, de Joseph Goebbles, em praticamente todas as atitudes da Prefeitura em relação à greve. Atitudes mentirosas, ridículas e que irão custar caro na carreira política do Rei e seus encabidados.

Comentário pertinente de um leitor do OFDS:
“Os cidadãos de Indaiatuba e os funcionários públicos estão sendo assombrados com o que a administração municipal chama de “Verdade”. Seria muito interessante esta mesma Administração apresentar as suas “verdades” como fez a Prefeitura Municipal de Campinas, que apresenta a matrícula do funcionário, o cargo, cargo em comissão e remuneração. Também seria interessante que a Administração Municipal explicasse aos grevistas porque alguns tiveram aumento de remuneração enquanto outros são obrigados a esperar a tal reestruturação e, se participam da greve tem o desconto em seus holerites.”

Por Fernanda Brega Stocco

Sei que greve prejudica a população (aliás, sempre sobra pra população), mas nosso excelentíssimo prefeito podia pelo menos receber esse povo, conversar, demonstrar que algo está sendo feito, mas não, ele simplesmente está ignorando.

Tem a coragem de ir na rádio dizer que todas creches estão funcionando, que existe uma liminar onde todas as mães podem levar seus filhos que estará garantido o atendimento, bem, não foi isso que minha mãe viu hoje cedo na creche que minha filha está.

A criança que chegou mais cedo conseguiu entrar (a minha conseguiu ficar), pois de quase 20 monitoras somente 1 (UMA) estava trabalhando. As mães que chegaram depois foram BARRADAS, não puderam deixar seus filhos, ou seja, cade a liminar que garante atendimento a essas crianças???

É claro que na porta da creche virou uma bagunça, mães desesperadas porque não tem com quem deixar seus filhos, grevistas agitando o povo, e aí?? Como ficamos?? Agora a categoria dos médicos também aderiu a greve…não podemos nem mais ficar doentes.

Só acho que todos deviam refletir, os grevistas, a administração, pois quem acaba sempre perdendo é o povo.

Comentário OFDS:
A população deve estar atenta para o descaso do tão amado Rei, que  fala ao público notícias fantasiosas. A greve é uma realidade. Tão real quanto a má remuneração do funcionalismo. O descaso com o servidores só não é maior do que com a população.

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Pois é, o Rei e sua patota anunciaram a semana inteira que a greve só atingia 5% dos funcionários e que não estava prejudicando os serviços. No site da Prefeitura (www.indaiatuba.sp.gov.br) nem existia.

Mas eis que surge um release hoje (20/05/2010), com o seguinte título: “Prefeitura consegue liminar para garantir o funcionamento dos serviços públicos durante greve“. O texto afirma: “A juíza de direito da 3ª Vara Cível concedeu liminar na tarde de quarta-feira (19) em favor da Prefeitura Municipal de Indaiatuba para assegurar a posse sobre os bens públicos, de modo a impedir os grevistas de ocupar e permanecer na entrada e área de entorno do Paço Municipal e dos demais prédios municipais”.

Por que o Rei entrou na Justiça se a greve não tinha adesão? OFDS acha que é porque a cada dia mais servidores aderem ao movimento. O número com toda certeza é bem mais expressivo que os dados do secretário de governo, Odair Gonçalves.

Outra parte que nos chamou a atenção: “A medida foi necessária diante do fato de grevistas estarem impedindo os servidores públicos municipais de entrar em seus locais de trabalho, comprometendo o atendimento à população em serviços essenciais como a Saúde e a Educação”. Bem, segundo a lei, educação não é serviço essencial que precisa de um mínimo de funcionamento. E em nenhum momento houve piquete.

O que preocupa o Rei é o poder de persuasão dos grevistas com os colegas. É garantido a todos empregar medidas pacíficas tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve – está na lei da greve ( nº 7783/89). O que a Prefeitura não divulga é que adota meios para constranger o servidor ao comparecimento ao trabalho e nesse ato tenta frustrar a divulgação do movimento. Tanto o constrangimento quanto o impedimento à divulgação são proibidos pela lei.

Com mais esses atos, fica evidente que a greve e os servidores estão, até o momento, ganhando essa queda de braço.