Servidores lotaram a sessão da Câmara Municipal

Foi bonito de ver. O plenário da sessão da Câmara Municipal de Indaiatuba completamente tomado pela população! Na grande maioria servidores, munidos de faixas, cartazes, narizes de palhaço e muito protesto. O resultado não poderia ser diferente: vários vereadores acuados, pois, infelizmente, alguns só representam o povo às vésperas das eleições, quando vão pedir votos. E como a memória é de curto prazo, esquecem logo depois de tomarem a posse.

A pauta da sessão foi mínima, como nas últimas semanas. Indicações, moções e poucos projetos. Aliás, projetos somente encaminhados às comissões, porque para votação tinham apenas 2, do Executivo Municipal. Mas para variar, um projeto chegou e foi votado com urgência. E claro que com a sempre visível subserviência da maioria dos vereadores, cada vez mais parecida com a corte do Rei, fadada aos mandos e desmandos da realeza.

O tal projeto seria uma simples autorização para que o Município firmasse um contrato com a Caixa Econômica Federal para a construção de casas populares do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Ótima iniciativa. Só espero que a Secretaria de Habitação não tenha o desempenho que demonstra com o Veredas da Conquista, onde a maioria das casas sequer foi concluída.

Na palavra livre, Chiaparine e Cebolinha se retiraram do plenário para uma reunião com as lideranças dos grevistas. Inevitavelmente, outros vereadores aproveitaram e picaram a mula. Os servos do Rei não falam nem com a Câmara vazia, imagina então discursar para o povo, principalmente quando esse é organizado e consciente. O presidente barrou a imprensa e não convidou nenhum vereador da oposição para a tal reunião.

Enquanto isso, os vereadores da oposição inflamaram a população presente. Mais uma vez apoiaram o movimento da greve. Agostinho Jr. questionou a cobrança do SAAE, que prejudica os moradores com contas de água mais caras. Linho foi além e cobrou o recálculo de todas as contas, ironizou os gastos excessivos com propaganda e o sistema ultra-moderno contratado que pesa mais no bolso do consumidor (e não funciona no prazo). Fechou com chave de ouro, cobrando do presidente da Câmara, o desengavetamento do Projeto de Lei Complementar que fixa a data-base do funcionalismo  público de Indaiatuba.

A reunião secreta terminou. Os vereadores prometeram alguns reajustes. Algo que os servidores não devem aceitar. É válido ressaltar que essa reunião só ocorreu com a permissão do Rei. Não acredite que as peças do tabuleiro da situação andam sozinhas, por iniciativa própria. Tal conversa demonstra que a greve está pesando nos ombros do prefeito. Se em uma semana, quem não iria conversar já começou a falar, é evidente que com mais adesões, o movimento colherá mais frutos!

Pela data-base, o funcionalismo não precisa esperar um acordo do Rei. O projeto já está na Câmara, só precisa ser votado, basta os servidores pressionarem nas próximas sessões. Não sei se esse desgaste o Dr. Chiaparine aguenta.

A oposição composta por Agostinho Jr., Dr. Túlio (ambos do PPS) e Linho (PT) foi aplaudida pelos servidores em vários momentos da sessão, principalmente o vereador petista. Já Cebolinha teve que se contentar com a tentativa frustrada de puxar palmas comandada pelo secretário da habitação, Gervásio Aparecido da Silva. O fardo do líder do governo nunca esteve tão pesado.