Após muitos anos de briga, surpreendentemente , adversárias se juntam em chapa única e fazem eleições praticamente secretas para a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Indaiatuba

Há algo de muito obscuro no reino, mas desta vez, o Rei aparentemente não tem nada a ver com isso. Sem praticamente nenhuma divulgação, no último dia 13 de abril, foi realizada a eleição para escolher a nova diretoria do sindicato que, em tese, deveria representar os funcionários públicos municipais.

Em tese. Porque o que se vê até o momento é uma grande pasmaceira que uniu Jaciara Lages Dutra Lima, eleita presidente no pleito, e Estefânia Vieira Pachelli de Morais. Ex-adversárias ferrenhas por mais de 7 anos, de uma hora para outra resolveram unir forças num acórdão obscuro. De uma hora para outra é modo de dizer, porque a paz foi celebrada em acordo em meados de 2008, que consistia que Estefânia iria convocar novo pleito e esquentar a cadeira para Jaciara assumir em seguida. E foi o que aconteceu, com métodos do arco da velha, como fazer o tempo retroceder, por exemplo. Outro dado intrigante é que uma grande massa de 160 funcionários votou na eleição sindical, algo próximo de 4% do total de servidores. Quanta representatividade, hein!?

Para quem não é muito interado no assunto, é mais ou menos como o Tom fazer um acordo desses com o Jerry e parar de correr atrás do mesmo. A briga foi tão grande que a turma da atual presidente chegou a se desfiliar do sindicado, fundar outro e o imbróglio foi parar na Justiça. Enquanto isso, o funcionalismo não tinha representantes oficiais, só uma comissão que era recebida (mas nunca atendida) pelo prefeito da ocasião.

O sindicalismo praticado na cidade talvez seja o real motivo da péssima situação por qual passa os funcionários da Prefeitura há mais de 10 anos, aliado, é claro, ao desprezo que a realeza sempre nutriu em relação à categoria.

Para exemplificar isso, ficamos apenas com alguns exemplos ocorridos este ano. Por mais absurdo que pareça, os servidores locais não têm uma data-base (dia pré-estabelecido para negociar benefícios para a categoria). Pois bem. Publicamente, o líder do Governo, Cebolinha (PDT), convidou as representantes do funcionalismo para participar da discussão em reunião na Câmara para tratar do assunto. Até agora, pelo que consta, nem responderam o convite.

Além disso, criou-se um boato (como assim?) de que haveria aumento para os servidores. O que foi desmentindo pela Prefeitura a um jornal local. Traduzindo: não vai ter aumento este ano. E o que fazem as representantes do funcionalismo? Gritam? Esperneiam? Convocam greve? Fazem piquetes? Não, a resposta não passa nem perto disso. Simplesmente se calam. Como que compactuando com o Rei, ‘a la’ Janio Ribeiro.

Alguns dias após as eleições, no que podemos chamar de ‘timing’ preciso, a nova diretoria apresenta uma pauta de reivindicações à Prefeitura. Isso, praticamente ao mesmo tempo que o Rei embarca para a China. A pauta tem, pelo menos, duas pérolas. A “nova” diretoria constatou que de 1997 para cá ocorreu uma perda salarial de 78%, mas a valente e moderna diretoria propõe 30% de reajuste aos servidores. Não, não é proposta da Prefeitura, é do Sindicato … ou seja, eles falaram assim: “temos direito a 78%, mas me dá 30% que eu topo! No entanto, como todos devem saber, em uma negociação o valor apresentado é, como o próprio nome diz, para negociar. A matemática ficou assim: o Rei quer dar 0% de aumento; os servidores têm direito a 78% (segundo o sindicato); o sindicato reivindica 30% mas, e sempre tem um mas, fragilizado como está, a tendência é que feche por qualquer merreca.

Outra pérola: hoje, o vale refeição é de R$ 78,00;  a diretoria quer que passe a ser R$ 200,00, e para todos os funcionários, já que, atualmente, só recebem esse direito os funcionários que ganham até R$ 850,00. Ou seja, para o Rei, quem ganha a partir de R$ 851 é rico e não precisa do benefício. A leitura que se pode fazer é que adiretoria defende que o servidor que ganha o piso (pouco mais de R$ 500,00) tenha um reajuste de R$ 122,00 no vale alimentação, e o funcionário que tem salário de R$ 4.000,00 (e que hoje não recebe o benefício), passe a receber R$ 200,00 de vale alimentação! É uma espécie de sindicato “Robin Wood” às avessas.

Esse sindicalismo de bastidor interessa a quem? Porque, com toda a certeza, aos reais interessados, os valorosos servidores públicos municipais, não é. Como o vento que bate lá bate cá, OFDS pede a mesma TRANSPARÊNCIA solicitada ao presidente da Câmara, Dr. Chiaparine, à nova diretoria do sindicato. O começo foi nebuloso, com eleição sem divulgação prévia e sem resposta à altura para o anúncio de mais um ano de arrocho. Os funcionários públicos agradecem. Amém!