Equação da greve: Prefeito não sabe que a conta vai ficar cara...

Nos últimos dias, a Prefeitura distribuiu um comunicado à população (veja aqui), no qual tenta convencer a mesma de que a greve não é o que é?! Diz mais uma série de bobagens e, por isso, rebateremos uma a uma:

Em respeito à população indaiatubana queremos agradecer a paciência e compreensão dos senhores pais, mães e enfermos frente às dificuldades geradas em algumas das nossas unidades pelo movimento de paralisação, pois como todos sabem, é eminentemente político de pessoas que têm pretensões a concorrer a cargos eletivos e uma mostra da total falta de compromisso pelos cargos públicos que ocupam na Administração Municipal.

Se a Prefeitura tivesse o devido respeito à população negociaria com os servidores, mas o Rei prefere falar que nada existe, não senta para conversar e não oferece nada. Quando fala do cunho político do movimento e seus integrantes, o Rei parece esquecer que ele também é político. Esquece que qualquer cidadão, dentro de certos parâmetros, pode concorrer às eleições. E quem deve decidir se as pessoas merecem ou não os cargos eletivos é a população.

Ao contrário do que dizem, apenas 6% dos funcionários estão paralisados.

O próprio Rei declarou em entrevista à CBN que a greve atingia 12%. No mesmo dia, Odair Gonçalves falou em 3%. Os números da Prefeitura flutuam muito. Outra questão: os principais setores paralisados são: Saúde, Guarda Municipal e Educação. O impacto da paralisação desses setores é imenso.

Toda classe médica voltou ao trabalho.

Não sei se foram todos os médicos, mesmo assim, o trabalho deles depende de outros funcionários.

A Prefeitura convocou mais de 100 aprovados do concurso para suprir as necessidades da Educação (escolas e creches).

Convocou mais de 100, ok, mas quantos atenderão o chamado por causa dos baixos salários e desprezo por parte do Rei? E o que o Rei fará com os funcionários sobrando, uma vez que os empregos dos servidores em greve estão garantidos? O Prefeito não precisa aprovar uma lei para criar mais cargos?

O Sindicato recusou por duas vezes acordo proposto pela Prefeitura. Não cumprindo o que assinou na frente da Procuradora Regional do Trabalho.

Mentira pura. A Prefeitura fez duas propostas ridículas. A Prefeitura recusou por duas vezes acordo proposto pelo Sindicato. Agora essa ladainha de acordo com a procuradora é piada, pois a mesma, confirmou que não houve acordo. No website da Procuradoria Regional do Trabalho existe, inclusive, uma notícia sobre o assunto, e em nenhum momento a matéria confirma o acordo (http://www.prt15.mpt.gov.br/site/noticias.php?mat_id=9947). Segundo o vereador Linho:  “a procuradora demonstrou sinais de irritação com a posição do secretário [Núncio Lobo Costa] que dizia não ter autonomia para negociarEla então perguntou o que ele foi fazer naquela reunião e o Núncio respondeu que foi em respeito à Procuradoria … A procuradora disse, então, que se ele fosse respeitoso, mandaria alguém com autonomia e propostas para a reunião.” Preciso falar alguma coisa, depois dessa comida de toco ?!

O primeiro termo assinado na Procuradoria com a volta ao trabalho não foi cumprido.

Reinoquice pura. Não houve acordo. O Rei não entende que um acordo, para existir, tem que ter a concordância de duas partes? Ele acha que estamos no regime feudal ou que está lidando com os seus servos!

No segundo termo foi assinado o retorno ao trabalho no dia 07/06, com o compromisso de negociações de eventual reposição e pagamento dos dias parados: também não foi cumprido.

Reposição do que, cara pálida?! Já foi descontado, o servidor não é obrigado a repor. Também não houve acordo, o Núncio só levou na cabeça e ainda por cima ficou meia hora no celular falando com o Rei para não resolver nada.

Agora mudaram a reivindicação: querem um adiantamento do reajuste referente à reestruturação de cargos e salários.

Não mudaram nada, querem aumento. Fizeram uma proposta, que aliás, deveria vir da Prefeitura.

O Sindicato solicitou abono das faltas dos dias parados somente para parte da diretoria e não para os demais funcionários.

Legal, se isso aconteceu, e o que eu acho muito difícil, a diretoria, ainda sim, precisa da concordância de todos os grevistas. Acho que a diretoria não é tão burra quanto o nosso Executivo.

O plano de cargos e salários garantirá um dos melhores salários da região.

Meio vago e OFDS só acredita vendo…

Exames laboratoriais serão regularizados esta semana.

A população espera que seja verdade.

Pergunta-se: quem vai pagar os dias parados dos servidores? O Sindicato? A Prefeitura sempre divulgou que os dias parados iriam ser descontados. Não mentimos. QUEM ESTÁ MENTINDO PRA QUEM??????

Não vai ser o sindicato, mas garanto a quem esta decisão caberá: à Justiça. Sem falar que os grevistas já sabiam que, mesmo não podendo, o Rei iria agir dessa forma. A resposta para pergunta: Reinóquio & CIA.

Como você, leitor, pode apreciar (ou não), a carta é ridícula. Não quero crer que esta seja mais uma obra supervisionada pelo secretário Odair ‘O Prof. de Deus’ Gonçalves de Oliveira. Porque se for, acho que ele acreditou demais no STF, e como o diploma de jornalista não é mais necessário, ele tratou de rasgar o dele. Ao invés dos ensinamentos da cátedra, deve seguir a cartilha da Gestapo, de Joseph Goebbles, em praticamente todas as atitudes da Prefeitura em relação à greve. Atitudes mentirosas, ridículas e que irão custar caro na carreira política do Rei e seus encabidados.

Comentário pertinente de um leitor do OFDS:
“Os cidadãos de Indaiatuba e os funcionários públicos estão sendo assombrados com o que a administração municipal chama de “Verdade”. Seria muito interessante esta mesma Administração apresentar as suas “verdades” como fez a Prefeitura Municipal de Campinas, que apresenta a matrícula do funcionário, o cargo, cargo em comissão e remuneração. Também seria interessante que a Administração Municipal explicasse aos grevistas porque alguns tiveram aumento de remuneração enquanto outros são obrigados a esperar a tal reestruturação e, se participam da greve tem o desconto em seus holerites.”