
O Fim do Silêncio está, como você – leitor – pode ver, de cara nova. Mas, pode ficar tranqüilo, pois a vontade de falar o que ninguém fala continua a mesma.
Dar uma ajeitadinha no visual sempre é bom e, além disso, vamos abordar outros assuntos, sugerir leituras, filmes e opções culturais, além de novas sessões, como a “Conta-gotas”, pérolas da discórdia trazidas em pequenos textos. Lógico, que com o mesmo tom ácido e irônico de sempre.
Em um ano tão importante como este, ficarmos quietos realmente não é uma coisa que faz parte dos nossos planos.
Um abraço e boa leitura.

Foto de João Schmidt
Não restam dúvidas de que Indaiatuba é uma das melhores cidades para se viver. Esta impressão geral das pessoas daqui se torna mais crível quando visitamos cidades vizinhas e que têm muito mais problemas. Não que Indaiatuba não os tenha. Longe disso. O sucesso inclusive contribuiu e continua contribuindo para o pior deles: a violência que não para de crescer.
A localização privilegiada (não, isto não é uma realização do grupo que governa a cidade há 13 anos) foi, senão o maior, um dos principais fatores para o crescimento vigoroso enfrentado por Indaiatuba há alguns anos. A cidade completa 179 anos com mais motivos para comemorar do que lamentar. Quando chegar aos 180, no ano que vem, vai estar melhor ainda graças às obras anti-enchentes bancadas pelo governo federal (ah, você não sabia ??? Sim, o dinheiro vem do Governo Lula, apesar de não constar isso nas placas da obras).
Indaiatuba ainda é uma cidade conservadora, com uma elite recheada de sobrenomes que ainda se acham importantes, apesar da decadência de vários deles. Ela é menos bairrista do que há duas décadas, por exemplo, e certamente isso se deve há migração de um grande contingente de pessoas, sobretudo do norte do Paraná e de paulistanos fugindo do caos da metrópole. Este é um fenômeno bem interessante de se notar: a importância dos sobrenomes é inversamente proporcional ao crescimento da cidade. Isso explica também o baixíssimo número de vereadores nascidos em Indaiatuba. Basta ver as listas de ex-vereadores da Câmara local da década de 80 e a de hoje para ver se o sobrenome não era um item importante.
Parece meio clichê (meio não, é totalmente), mas Indaiatuba cresceu e muito. O calcanhar de Aquiles da cidade atualmente é a segurança, colocada de lado pelo governo estadual há muito tempo. Tentaram levar o caixa eletrônico do shopping, a PM foi chamada, impediu o furto, mas ninguém foi preso. Alguém perguntou por quê?!? Não, mas vou tentar adivinhar … Simplesmente porque, mesmo roçando os 200 mil habitantes, Indaiatuba conta com 4 (acho que é melhor escrever por extenso: QUATRO) viaturas da PM para patrulhar toda a cidade durante as madrugadas. E este dia não foi aleatório: em todas as madrugadas são apenas estas viaturas que fazem o patrulhamento ostensivo (?!?!?) na cidade. Isso é motivo de chacota até dentro da própria corporação e um convite à bandidagem. Além disso, as forças de segurança da cidade (GM e Civil) inclusas podem estar preparadas para tudo, menos para enfrentar o crime organizado, como parece ter sido o caso da quadrilha armada com fuzis. A ladainha que a polícia será equipada vem de anos, desde quando GM e PM atuavam em conjunto.
Como é um texto comemorativo, nem vou falar da área de Saúde e também do fato que pode (e deve) levar Indaiatuba às manchetes nacionais: os panetone$ que comem lá em Brasília têm grandes chances de serem degustados na Terra dos Indaiás.
Que bom seria se Indaiatuba fosse aquela dos outdoors (irregulares, por sinal) ou aquela desenhada e pintada por vários jornais chapas-branca todas as semanas. Mas não é. Mesmo assim ou apesar disso, como indaiatubano que sou, não posso deixar de parabenizá-la nesta data tão especial: PARABÉNS, INDAIATUBA !!!

É lindo assistir de camarote o esforço das lideranças políticas locais pela paternidade da luta contra o pedágio da SP-75: é o filho abandonado, que todo mundo já dava como “perdido” e depois de tanto se discutir e estabelecer os limites de suas ações, agora ganha o interesse e até disputa de paternindade pelo ex-prefeito José Onério (PPS), o prefeito Reinaldo Nogueira e o deputado Rogério Nogueira (PDT).
A verdade é uma só: se nos governos passados, tanto de Reinaldo (2000 a 2004) quanto de José Onério (2004 a 2008) não tivesse havido o entreguismo, hoje a população não precisaria se mobilizar para corrigir tais erros. Em 2007, Indaiatuba ganhou dois Pedágios de Bloqueio nos bairros Helvetia e Jd. Brasil sem a mínima discussão dos impactos sociais que seriam gerados para a cidade: à época, se considerou apenas o quanto seria revertido finaceiramente para o caixa da Rodovia das Colinas com o bloqueio de mais de 6 mil veículos com placas de outras cidade (em torno de R$ 3,16 milhões mensais); negociata por meio das qual sairia o financiamento de campanha dos seus autores. E o que Indaiatuba ganharia com isso? Absoutamente nada!!!
O contrato que originou o bloqueio em 2007 foi assinado pelo ex-prefeito José Onério sem a mínima discussão na Câmara Municipal, em total desrespeito à Lei Orgânica do Município (LOM), que exige autorização legislativa para concessão de bens municipais. Também, não se observou um acordo judicial de 1996, que garante o acesso de qualquer veículo pelo KM 62 da SP-75, onde foi instalado o monumento de Onério e Nogueira. Não se buscou a isenção aos motoristas de Indaiatuba na Rodovia, porque outros 6 mil veículos com placa de Indaiatuba não usavam o desvio e isso representaria outros R$ 3 milhões mensais no caixa da empresa.
O movimento popular levantou estas questões para por fim à farra do boi e, com tudo em evidência, já sinalizando o fechamento das torneiras, todos querem ser o pai da criança. Para isso, é preciso mais: são quase duas décadas de abuso a serem corrigidas!
Passagem livre aos motoristas de Indaiatuba na Rodovia SP-75 está mais próxima, caso a Colinas tenha interesse em manter o bloqueio de veículos de fora.

A discussão da Praça de Pedágio explorada pela Rodovia das Colinas em Indaiatuba reacende com um novo ânimo. Pelo acordo assinado em 1994, entre Dersa (Departamento de Estradas e Rodagens do Governo do Estado de São Paulo), o Ministério Público e o Município de Indaiatuba, independente da placa do veículo, não pode haver qualquer tipo de obstrução aos motoristas no acesso ao Município pelo KM 62 da Rodovia SP-75, ou seja: através dos bairros Helvetia e Jardim Brasil. No entanto, em 2006, à margem das determinações legais e observância desse acordo, a Prefeitura de Indaiatuba e a empresa concessionária assinaram um Protocolo de Intenções que deu origem a dois Pedágios de Bloqueio nesses acessos, permitindo pelo local o tráfego somente veículos com placas da cidade.
A Comissão Cidadania Participativa de Indaiatuba, de caráter popular, formada para discutir o assunto, vem realizando reuniões de conscientização em bairros da cidade desde janeiro deste ano e formulou duas propostas a serem apresentadas à Rodovia das Colinas, em reunião que será realizada na Artesp (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados dos Transportes do Estado de São Pualo): Passagem Livre ou Tarifa Justa. E usa como argumentos vícios no Protocolo de Intenções assinado em 2006 pela Prefeitura e a empresa, como, por exemplo, a falta de autorização legislativa prevista no regime de concessões da Lei Orgânica do Município (LOM).
Logo, a Passagem Livre seria uma compensação aos munícipes por permitir no desvio em Helvétia, a partir de 2007, o bloqueio diário médio de cerca de 6 mil veículos com placas de outras cidades: o representa no cerca de R$ 1,58 milhões mensalmente no caixa da empresa. Assim, cerca de 5,5 mil veículos com placas de Indaiatuba que desviam atualmente do Pedágio por Helvetia passaria a usar todo o trajeto pela Rodovia SP-75, nos dois sentidos, sem pagar a tarifa de R$ 8,80 em cada sentido. Caso a empresa se recuse a dar acesso livre pela Rodovia, o movimento popular defende o fim dos Pedágios de Bloqueio em Helvetia e Jd. Brasil e passa a defender a tarifa justa, que é o equivalente a R$ 2,80 pelo uso de 20 e não dos 60 quilômetros de rodovia da área de concessão.
A partir da leitura, na quinta feira da semana passada, no gabinete do Promotor Fernando Grosso, do acordo assinado em 1994 – que culminou no fechamento definitivo da Estrada do Sapezal para dificultar a rota de fuga, mas que também garante o acesso à cidade por qualquer motorista no KM 62 da SP 75 -, uma nova reflexão deve ser feita em torno do movimento contra o Pedágio. O que antes poderia representar longa discussão nos Tribunais, em torno da análise judicial de um Protocolo assinado entre a Prefeitura de Indaiatuba e a empresa, agora parece mudar a dinâmica das negociações: basta apenas uma provocação na Justiça por quebra de acordo para se cumprir o que já está determinado.
A Comissão Cidadania Participativa de Indaiatuba também entrou com uma Representação no Ministério Público para que sejam tiradas as guaritas, cancelas e portões do Loteamento Fechado Helvetia Pólo Country, por se tratar de vias públicas de acesso à Rodovia SP-75. O promotor já adiantou que a questão não precisa de análise mais profunda e que vai pedir que essa medida seja tomada. Do início do desvio no KM 62 até a portaria deste loteamento são 4,5 km, mais 900 metros para o retorno à rodovia, sem passar pelo Pedágio da Praça Principal. A Rodovia das Colinas deve decidir se vai isentar os motoristas de Indaiatuba na Praça Principal ou prefere arriscar que todos os motoristas, inclusive de outras cidades, usem em breve essa rota de fuga.

A data de hoje – 11 de sembro de 2009 – seria outro dia qualquer se oito anos atrás uns malucos não tivessem colocado em prática um ousado plano para abalar o ‘Império’. O resto da história todo mundo já conhece, tendo o clímax no enforcamento praticamente ao vivo de Saddam Hussein no penúltimo dia de 2006.
Bom, lembrei disso, porque especialmente na região de Campinas muitas pessoas assistiram ao vivo o ataque às Torres Gêmeas, porque na noite do dia anterior o então prefeito de Campinas, Antonio da Costa Santos (PT), o Toninho, havia sido assassinado, e na manhã seguinte as pessoas buscavam informações no rádio e TV. Eu era uma delas. O segundo avião entrando no WTC assisti ao vivo, momentos após inúmeras reprises do primeiro atentado. É uma cena que não saiu da minha cabeça e não sei se vai sair.
Parece uma imensa ironia, mas não é: o atentado serviu como cortina de fumaça (desculpe-me o trocadilho) em relação à morte de Toninho. Oito anos depois, a história ainda não foi esclarecida. Outra lembrança que eu tenho é que uns dois meses antes dele ser assassinado, eu tirei uma foto com Toninho, que esteve em uma palestra na Câmara de Indaiatuba. Infelizmente, não tenho mais o registro, se perdeu em alguma mudança ou algo assim. Mas o registro da minha memória continua bem vivo e o que mais me chamou a atenção era sua simplicidade e falta de cerimônia. Não dá pra imaginar a falta que ele fez para Campinas.
Por tudo isso, a data de hoje faz com que muita gente, eu incluído, fique mais pensativo, introspectivo. Apesar de ter sido no dia 10, a notícia (e o choque) da morte de Toninho veio praticamente junto com o atentado ao World Trade Center, o que sempre me faz lembrar dos dois ao mesmo tempo, não consigo desvincular o 11 de setembro destes dois acontecimentos.

Quando estou indo a Campinas trabalhar (ou voltando) sempre me lembro da música mais conhecida do Zé Ramalho, aquela do refrão “Eh, ôô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz”. Me sinto um dos protagonistas da canção, sim, porque o serviço prestado pela VB (cujo B não é mais de Bonavita) está cada vez pior.
O contingente de trabalhadores que usa o serviço todos os dias (ou, para a empresa, a manada) não para de crescer, mas, sempre tem um mas, os horários diminuem, os ônibus somem, quando aparecem estão sujos e sem manutenção. No final de agosto, um ônibus estava sem nenhuma condição de uso, praticamente sem amortecedores, a manada foi sacudindo de tal forma que uma senhora quase caiu da poltrona em que estava. Se não fosse trágico, seria cômico. Aliás, para alguns a viagem até foi cômica, pois não paravam de rir no papel de pipoca.
Mas aí sempre vem alguém, geralmente um motorista ou cobrador beeeeeemmmmm educado e diz: “Vocês devem reclamar na EMTU”. Como se isso resolvesse. Já fiz zilhões de reclamações, por e-mail, por telefone. Nada mudou, aliás, mudou, para pior. Alguém acredita que alguma coisa será feita pelas autoridades estaduais? A VB é de um grupo que tem uma das maiores frotas de ônibus do Estado de São Paulo, dono de N empresas concessionárias de serviço público.
É esta a dura realidade de quem precisa de transporte público de Indaiatuba para Campinas. Acho que vai mudar quando acontecer algum acidente grave pela falta de manutenção dos ônibus ou pela superlotação. Aí a imprensa denuncia, a EMTU fiscaliza, ou seja, precisa de uma tragédia para as coisas acontecerem. Até lá: “Eh, ôô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz”.